Uma forte tempestade atingiu o litoral de São Paulo nesta quarta-feira (29) e provocou impactos nas operações do Porto de Santos. Rajadas de vento superiores a 100 km/h atingiram a região e imagens divulgadas nas redes sociais mostram um caminhão completamente destruído após ser atingido por um contêiner deslocado pela força dos ventos dentro da área portuária.
Os registros mostram a intensidade do fenômeno climático no ambiente portuário, com trabalhadores buscando proteção enquanto equipamentos, estruturas e cargas eram afetados pelas rajadas. Até o momento, não há informações sobre trabalhadores feridos no incidente envolvendo o contêiner.
A ventania também provocou alterações na rotina operacional de terminais do complexo santista, com impactos temporários na movimentação de cargas durante o período mais crítico da tempestade.
Ventos ultrapassaram 100 km/h no litoral
Segundo informações da Defesa Civil do Estado de São Paulo, a passagem de uma frente fria foi responsável pela mudança brusca nas condições meteorológicas. A previsão inicial indicava ventos de até 90 km/h, mas as rajadas superaram essa marca.
Em Itanhaém, os registros apontaram ventos de 103 km/h por volta das 12h30. O alerta foi ampliado para toda a faixa litorânea paulista, entre Itanhaém e Ubatuba, devido ao risco de ventos fortes, chuvas intensas, descargas elétricas e possibilidade de granizo.
Além dos impactos no setor portuário, a tempestade provocou uma morte em Santos. Uma pessoa foi atingida por uma árvore durante as rajadas e não resistiu aos ferimentos.
Diante da intensidade do fenômeno, a Defesa Civil paulista ativou o Gabinete de Crise para monitorar os impactos da frente fria, que deve continuar influenciando as condições climáticas até quinta-feira (30).
As condições adversas também acendem um alerta para a segurança nas operações portuárias, especialmente em atividades envolvendo movimentação de contêineres, equipamentos de grande porte e estruturas expostas.
Além dos ventos fortes, a previsão aponta possibilidade de ressaca e mar agitado no litoral paulista, fatores que podem afetar manobras de navios, atracações e atividades de apoio marítimo.
A Defesa Civil orienta a população e trabalhadores a evitarem locais próximos a árvores, postes, placas, coberturas frágeis e estruturas metálicas durante períodos de ventania.
Para motoristas e equipes que atuam na cadeia logística, a recomendação é reforçar a atenção devido ao risco de queda de objetos, redução de visibilidade e obstáculos nas vias de acesso.
O episódio reforça um tema crescente no setor: a necessidade de adaptação da infraestrutura portuária brasileira aos eventos climáticos extremos.
Portos como Santos, responsáveis por movimentar milhões de toneladas de cargas anualmente, precisam considerar cada vez mais protocolos específicos para situações envolvendo ventos extremos, incluindo critérios de paralisação preventiva, reforço de amarração de cargas, proteção de equipamentos e comunicação rápida entre terminais, operadores e autoridades.
A ocorrência também abre espaço para discutir a relação entre mudanças climáticas, segurança operacional e resiliência da logística nacional.