O Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, renovou por mais cinco anos sua certificação nacional de segurança portuária, mantendo o reconhecimento de conformidade com o ISPS Code — Código Internacional para a Proteção de Navios e Instalações Portuárias.
A renovação foi concedida pela Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos) após processo de avaliação que envolveu auditoria técnica e análise do Plano de Segurança Portuária do complexo.
Suape mantém a certificação desde 2004, consolidando mais de duas décadas de atuação sob os requisitos internacionais de proteção aplicáveis às instalações portuárias que participam do comércio marítimo internacional.
Segurança muito além dos portões
A certificação envolve uma estrutura permanente destinada à prevenção e resposta a ameaças que possam atingir navios, instalações, cargas, trabalhadores e demais usuários do porto.
Entre os investimentos realizados por Suape está um sistema de monitoramento eletrônico formado por 322 câmeras de alta definição, distribuídas pela área portuária.
O complexo também modernizou seus sistemas de controle de acesso, atualizou mecanismos de identificação e credenciamento e revisou as regras para entrada e circulação de pessoas e veículos.
As novas Normas de Acesso de Pessoas e Veículos ao Porto Organizado de Suape (NAPV) entraram em vigor em fevereiro de 2026 e disciplinam o ingresso e a saída de pessoas, veículos, bens e mercadorias nas áreas sob controle portuário.
O que significa o ISPS Code?
Criado no âmbito da Organização Marítima Internacional (IMO), o ISPS Code estabelece procedimentos internacionais destinados a identificar riscos e aumentar a proteção de navios e instalações portuárias.
O código ganhou força após os atentados de 11 de setembro de 2001, quando a segurança de infraestruturas estratégicas passou a ocupar posição ainda mais relevante na agenda internacional.
Na prática, um porto enquadrado nos requisitos do ISPS precisa manter procedimentos relacionados a controle de acesso, áreas restritas, monitoramento, identificação de vulnerabilidades, planos de contingência e resposta a diferentes níveis de ameaça.
Não se trata, portanto, apenas de vigiar o cais.
A proteção começa no controle de quem entra na instalação e se estende até os procedimentos destinados à segurança das embarcações e das cargas movimentadas.
Segurança integrada
A proteção das instalações de Suape também envolve atuação conjunta de diferentes órgãos públicos.
Polícia Federal, Marinha do Brasil, Receita Federal e demais instituições ligadas à segurança portuária participam do sistema integrado destinado a prevenir ilícitos e proteger as operações.
Esse modelo ganha importância diante da dimensão e da diversidade das atividades realizadas no complexo pernambucano.
Suape movimenta contêineres, granéis líquidos, veículos e diferentes tipos de cargas, além de receber embarcações ligadas a algumas das principais cadeias logísticas do Nordeste.
Certificação chega em momento de crescimento
A renovação acontece justamente em um período de expansão da movimentação portuária.
No primeiro semestre de 2026, Suape movimentou aproximadamente 13,7 milhões de toneladas, crescimento de 25,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O número de atracações também avançou.
Foram 832 escalas de navios, aumento de 14,3% na comparação com os primeiros seis meses de 2025.
O crescimento reforça a necessidade de uma estrutura de segurança capaz de acompanhar o aumento do fluxo de embarcações, trabalhadores, caminhões e mercadorias dentro do complexo.
Segurança também é competitividade
Para um porto inserido nas grandes rotas internacionais, segurança não pode ser tratada apenas como obrigação regulatória.
Ela também representa competitividade.
Armadores, embarcadores e operadores logísticos precisam ter previsibilidade de que cargas, embarcações e equipes estarão inseridas em uma instalação submetida a protocolos reconhecidos internacionalmente.
A renovação do ISPS Code reforça justamente essa condição.
Em um setor no qual produtividade costuma ser medida em toneladas movimentadas, TEUs e tempo de operação dos navios, existe outro indicador menos visível, mas igualmente estratégico: a capacidade de operar com segurança.
E, à medida que Suape amplia sua movimentação e recebe novos investimentos portuários, manter esse padrão será tão importante quanto aumentar sua capacidade física.
Porque um porto competitivo precisa movimentar mais.
Mas precisa, sobretudo, movimentar com segurança.