A JBS Terminais adota uma postura estratégica e cautelosa diante do megaleilão do Tecon Santos 10, considerado um dos projetos mais relevantes do setor portuário brasileiro nas próximas décadas. Mesmo com o mercado especulando uma possível participação da companhia, inclusive em associação com grupos internacionais, a empresa evita confirmar qualquer movimento antes da definição final do edital.
O tema ganhou força após o Ministério de Portos e Aeroportos encaminhar à Antaq os documentos do leilão. A partir daí, investidores e operadores passaram a monitorar de perto a posição da JBS Terminais, que desde 2024 opera um terminal de contêineres no Porto de Itajaí, em Santa Catarina. Segundo o CEO da companhia, Aristides Russi Jr., ainda não há elementos suficientes para uma decisão definitiva.
De acordo com o executivo, a empresa acompanha as oportunidades, mas precisa de clareza sobre o volume de investimentos exigidos, a escala operacional prevista e as regras finais do certame para avaliar a aderência do projeto à sua estratégia de crescimento. A avaliação envolve retorno ajustado ao risco e compatibilidade com o perfil de capital da operação.
Edital, concorrência e segurança jurídica no centro do debate
Para garantir maior segurança jurídica ao leilão, o Ministério de Portos e Aeroportos incorporou recomendações do Tribunal de Contas da União, especialmente aquelas relacionadas à concentração de mercado. Um dos pontos que chamou a atenção foi a definição da outorga mínima em R$ 500 milhões, valor significativamente inferior às estimativas iniciais do mercado, que chegaram a projetar cifras na casa dos bilhões de reais.
Na leitura de especialistas, essa decisão amplia o leque de interessados e evita que a disputa fique restrita apenas a grandes grupos internacionais. Ainda assim, a expectativa é de forte concorrência estrangeira, já que não há previsão de outros leilões portuários de grande porte no médio prazo no Brasil.
Russi Jr. reforça que, antes de qualquer posicionamento, é fundamental que toda a documentação esteja disponível para análise. Segundo ele, a JBS Terminais já demonstrou capacidade de gerar eficiência operacional e agregar valor à cadeia logística de seus clientes, o que sustenta o interesse do mercado na empresa como potencial competidora.
Rumores de parceria e diferenças de escala
Com o avanço do debate sobre o modelo do edital, surgiram rumores de uma possível parceria entre a JBS Terminais e a operadora filipina ICTSI. A hipótese ganhou tração diante da complexidade e da escala do projeto em Santos, muito superior à operação atual da JBS em Itajaí.
Questionado sobre o tema, o CEO evitou confirmar qualquer negociação. Ele destacou que o ativo a ser leiloado no Porto de Santos possui uma dimensão e uma capacidade operacional significativamente maiores, o que naturalmente exige análises mais aprofundadas sobre estrutura societária, governança e compartilhamento de riscos.
Atualmente, o terminal da JBS em Itajaí conta com 1.030 metros de cais, quatro berços de atracação e uma área de 180 mil metros quadrados. A infraestrutura inclui tomadas para contêineres refrigerados e sistemas de gate que ampliam a eficiência operacional. Desde que assumiu a operação, a empresa já investiu cerca de R$ 130 milhões e prevê novos aportes no próximo ciclo.
Tecon 10 representa salto de escala e investimento de longo prazo
O projeto do Tecon 10, em Santos, representa um salto de escala. O novo terminal deverá ocupar mais de 600 mil metros quadrados e ampliar em cerca de 50 por cento a capacidade de movimentação do porto. A previsão é de investimentos da ordem de dezenas de bilhões de reais ao longo de 25 anos, com capacidade para até 3,5 milhões de TEUs por ano, além de quatro berços de atracação e um terminal de passageiros.
Enquanto isso, em Itajaí, a JBS Terminais projeta elevar a movimentação para mais de meio milhão de TEUs até 2026, consolidando sua presença no Sul do país antes de dar passos mais ousados.
Até que o edital definitivo seja publicado, a participação da JBS Terminais no leilão do Tecon 10 segue como uma incógnita. O que está claro é que a decisão passará por critérios técnicos, financeiros e regulatórios, em um momento em que previsibilidade e segurança jurídica se tornaram fatores decisivos para grandes investimentos no setor portuário.
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